sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O QUILOMBO DOS PALMARES

Foi, e ainda representa a maior fôrça e resistência Socioeconomica e politica da história do Brasil, servindo como exemplo de luta, fôrça e Raça de um povo, tendo lutado e resistido por quase cem anos lutando pelo direito á vida e á liberdade, na Serra da Barriga , hoje Estado das Alagoas, antes território da Capitânia de Pernambuco. Em 1650, um grupo de escravos se rebelaram no Engenho de Piancó, território da Capitânia de Pernambuco, liderada pelo Príncipe Negro Angolano “Zumba” que os conduziu para o alto da Serra da Barriga,onde ficava a aldeia da nação Indigína Potiguar “Palmares”, liderada pelo Cacique Canindé e a Xamã Akutirene. Segundo conta a história que a velha Feiticeira previra que um certo dia surgiria de um grande rio um grande Rei que imortalizaria “Palmares”. Com sua grande liderança foi eleito Rei “Ganga” de Palmares. Dentro de poucos anos a população negra passou para 70% a dos principais quilombos, que ao todo foram oito ( Amaro, Akutirene, Macaco, Aqualtene, Danbraga, Subupira, Adalaquituxe), 25% de Índios e 5% de Portugueses Brancos foragidos(Mestiços, potugueses, Franceses e Espanhóis). Toda essa miscigenação racial criou uma nova cultura étnica, religiosa, dialética, Capoeira, culinária, relações culturais onde a terra era patrimônio de todos e as decisões de Ganga eram decididas pelo concilio dos anciões “Zama”, que representava os patriarcas de cada familia. Palmares foi a maior Republica socialista da América, formava um arco-ires racial do povo Brasileiro(Negros, Mamelucos, Índios, Cafuzos, Sararás, Mulatos, Brancos e etc.), nessa sociedade surgiu a Capoeira com a fusão das culturas negras, indígenas e brancas. O negro contribuiu com o N'Golo, a ginga, a mandinga e com seus instrumentos, o pandeiro quadrado, o atabaque Islâmico, o agogô e mais tarde com a introdução do berimbau (urocongo), pelos Afro-descendentes. Os Índios com as marimbas, xererê, atabaque de tronco ôco e pele de Anta, com movimentos que imitavam os animais.
Ouviu-se falar de Capoeira pela primeira vez durante as invasões Holandesas, em 1624, quando os índios, e negros escravos, ( as duas primeiras vítimas da colonização), aproveitando-se da confusão gerada pela invasão fugiram para as matas, aumentando o contigente dos quilombos dos palmares onde o primeiro Rei “Ganga” chamava-se Zumba: Salientamos que o primeiro Quilombo registrado foi em Pernambuco, quando da primeira revolta e fulga dos escravos da vila de Olinda, tendo os negros adentrado as matas e criado o quilombo do “Cumbi” terras hoje entre Joaquim Nabuco e Palmares, em 1558.
Em 1678 foi registrado a chegada de Ganga Zumba, Rei dos Palmares, ao Recife. Onde foi recebido pelo então Governador Souza de Castro: Por várias vezes Ganga Zumba com seus guerreiros maus vestidos chegaram a Recife, convidado pelo Governado de Pernambuco para falar a respeito dos muitos escravos que conseguiam fugir para os Quilombos, deixando grandes prejuizos para os fazendeiros, que precisavam da monocultura escrava: do acordo firmado entre Zumba e o Governo Constituinte,nada foi cumprido por parte do poder Constituido. Tambem durante uma dessas visitas Ganga Zumba foi envenenado pelos seus próprios colaboradores manipulados pelo Governo Pernambucano. “ ZUMBÍ”: Tendo assumido o comando do Quilombo dos Palmares e sua nação com a morte de seu tio Ganga Zumba, o guerreiro Zumbí que quando criança havia sido raptado por Bandeirantes ou Caçadores de Escravos, foi entregue e criado por um padre em Recife, que aos 15 anos já era coroinha, e aos 25 anos fugiu para os Quilombos dos Palmares ficando no lugar de Ganga Zumba, mas foi morto no dia 20 de Novembro de 1695 pelo perveso Domingos Jorge Velho, a sua cabeça foi colocada em sal e enfiada em um poste na frente da Igreja de Nossa Senhora do Carmopara mostrar a seus seguidores que seu defensor havia sido vencido, hoje existe o monumento do mesmo, e a data de sua morte é comemorada o dia da Consciência Negra, Segundo a lenda Zumbí era um nato lutador de Capoeira. O reinado de Zumbí durou 14 anos.
A Capoeira é considerada a Arte Marcial Brasileira pelo motivo de ser utilizada de Muitas formas como as Maltas, Guerra do Paraguai, Revoltas dos Mercenários, nas Caramussas entre monarquia e republicanos, Guerra das Tabocas, mascates, Guardas costas de José do Patrocínio e Dom Pedro I, Canudos, Farrapos, Primeira e Segunda Guerra Mundial, ETC...

A ORIGEM DA CAPOEIRA SEGUNDO AS OPINIÕES DOS MESTRES

Segundo Mestre Pirajá, a capoeira surgiu nos Quilombos para sua própria defesa e forma de preparar os seus guerreiros para a luta contra os invasores, como tambem para as investidas nas fazendas para resgatar os negros que lá se encontravam ainda sub-julgados pelos seus feitôres. Quanto a forma de luta, teve influência a vários tipos de movimentos de danças africanas e dos nativos brasileiros, como a dança da zebra ou N'Golo de origem do povo “Mucope” do sul de Angola, que ocorria durante a “Efundula”(festa da puberdade), onde os adolescêntes formavam uma roda ; com uma dupla ao centro desferindo coices e cabeçadas um no outro, até que um era derrubado no solo, essa luta é oriunda das observações dos negros, dos machos das zebras nas disputas das fêmeas no periodo do cio, onde os machos lutam com mordidas, cabeçadas e coices. Com a “Revolta dos Malês”, na Bahia formada pelos negros Malês em 25 de fevereiro de 1835, que foi reprimida pelos portugueses, que castigaram mutilando os líderes, e enviando um navio para a àfrica e outro dos rebeldes para a América Central. Em Cuba e Martinica os Malês fundiram-se com os negros dos canaviais dando origem ao “Mani” em Cuba e a “Ladva” em Martinica.
O N'Golo levado pelos angolanos para o Quilombo de Palmares fundiu-se com o Maraná surgindo a Capoeira. Segundo cartas do jesuita Antônio Gonçalves para os seus superiores de Lisboa em 1735, descreve que quando missionário em Angola junto ao povo Mucope onde teve o privilégio de assistir uma dessas manifestações culturais, a “dança do N'Golo”, e que a mesma não tem nenhuma aparência com a Capoeira chamada Angola. Mas sim! Descreve que observou uma luta que os indios praticavam antes de qualquer conflito, em forma de roda, dois a dois usando os braços, pernas, cotoveladas, joelhadas, e usando todo o corpo como armas ( Convento de Santo Inácio de Loyola, anais das missões no Brasil. Tomo III pág. 128).
O escritor Holandês Gaspar Barleus descreve no livro “Rerum Per Octenium in Brasil-1647, a luta dos índios tupis praticada no litoral brasileiro” chamada de Maraná, luta de guerra, só existem dois exemplares, um no EUA e outro no Brasil.
O cronista alemão Johann Nieuhoff descreve em seu livro “Crônicas do Brasil Holandês” de 1670 a luta do Maraná assim como será descrito à seguir.



Maraná


As cartas do escrivão Francis Patris, que acompanhava o cortejo do príncipe Mauricio de Nassau durante a invasão Holandesa, descreve entre muitos obstáculos para ocupação do território brasileiro a resistência dos habitantes do Brasil.
Negros comandados por Henrique Dias, portugueses por Vidal de Negreiros, Índios Potiguares comandados por Felipe Camarão, o “Índio Poti”. Esses índios usavam durante o confronto, além de flechas, bordunas, lanças e tacapes, os pés e as mãos desferindo golpes mortais, destacando-se por sua valentia e ferocidade. Pertencia a cultura potiguara a dança e guerra Maraná, que avaliava o nível de valentia de seus guerreiros. Em círculos os guerreiros com perneiras de conchas compunham um compasso ao bater com os pés e as mãos, invocando seus antepassados, acompanhado das batidas dos atabaques feitos de troncos de árvores com pele de Anta, chocalhos e marimbas, em quanto que dois gerreiros se confrontavam ao centro da roda com golpes de pernas, cotoveladas e movimentos que imitavam os animais.

sábado, 30 de janeiro de 2010

MURAL DE FOTOS DO MESTRE PIRAJÁ

ENCONTRO PRÓ-CAPOEIRA RECIFE
MESTRE PIRAJÁ E MESTRE CURIÓ

HOMENAGEM AO MESTRE PIRAJA PELA PREFEITURA DO RECIFE
MESTRE PIRAJÁ E MESTRE MORCEGO

MARDONIO MEU FILHO CAÇULA E MINHA ESPOSA DIRCE

EXECUÇÃO DO HINO NACIONAL COM TODOS OS MESTRES
QUE NA OCASIÃO FORAM HOMENAGEADOS

HOMENAGEM DOS MESTRES AO MESTRE PIRAJA E ESPOSA


MESTRE PIRAJÁ E SUA ESPOSA DIRCE

MESTRE PIRAJÁ COM O TROFÉU EM SUA HOMENAGEM

MESTRE PIRAJÁ FAZENDO UMA EXIBIÇÃO DE TOQUES DE BERIMBAU
LADEADO POR SUA ESPOSA, MESTRE PADRE, CONTRA-MESTRE ENRROLADO E ALUNO

MESTRE PIRAJÁ COM MESTRE KIM EM EVENTO DO GRUPO AXÉ NA TURQUIA

MESTRE PIRAJA E MESTRE BARRÃO NO EVENTO DO AXÉ CAPOEIRA
NA TURQUIA COM O GRADUADO HALIT E ALUNO

MESTRE PIRAJÁ, MESTRE BARRÃO, MESTRE KIM, INSTRUTOR BARRIL
EVENTO DO AXÉ CAPOEIRA NA TURQUIA
ENCERRAMENTO DO EVENTO DO GRUPO AXÉ CAPOEIRA
ANCARA - TURQUIA

CIDADE DE NICE - FRANÇA
MESTRE BARRÃO, MESTRE NEM, MESTRE HULK, MESTRE PIRAJÁ, MESTRE DUVALLE

NICE - FRANÇA
MESTRE DUVALLE, MESTRE PIRAJÁ, MESTRE BARRÃO E MESTRE NEM

ENCERRAMENTO DO EVENTO NA CIDADE DE NICE - FRANÇA

MESTRE PIRAJÁ, PROF. GATO, MESTRE HULK, MESTRE DUVALLE, PROF. PÊPE E MESTRE BARRÃO

MESTRE HULK E MESTRE PIRAJÁ
CIDADE DE MÔNACO - FRANÇA

MESTRE DUVALLE, MESTRE BARRÃO E MESTRE PIRAJA
CIDADE DE MÔNACO - FRANÇA
MESTRE DUVALLE, MESTRE NEM, MESTRE PIRAJÁ, MESTRE HULK E MESTRE BARRÃO
CIDADE DE MÔNACO - FRANÇA

PALESTRA DE ABERTURA DO EVENTO DO AXÉ CAPOEIRA
CIDADE DE NICE - FRANÇA

MESTRE PIRAJÁ FAZENDO A PALESTRA DE ABERTURA DO EVENTO
AO LADO DO MESTRE BARRÃO E MESTRE DUVALLE
CIDADE DE NICE - FRANÇA
ENCONTRO PRÓ-CAPOEIRA 2010
MESTRE PIRAJA E MESTRE ZULLU

ENCONTRO PRÓ-CAPOEIRA 2010

MESTRE ITAPOÃ E MESTRE PIRAJÁ

ENCONTRO PRÓ-CAPOEIRA
MESTRE ESPINHELA- MESTRE INDIO - MESTRE PIRAJA - MESTRE VALBER - MESTRE JADER

MESTRE PÊU - MESTRE INDIO - MESTRE PIRAJÁ

MESTRE RENATO - MESTRE ZUMGA - MESTRE RAFAEL MAGNATA - MESTRE PIRAJÁ - MESTRE LIMA - MESTRE NALDINHO

ENCONTRO PRÓ-CAPOEIRA
MESTRE - RAPOSÃO - MESTRE PIRAJÁ - MESTRE ESPINHELA - MESTRE PÊU

ENCONTRO DE ALGUNS MESTRES, CONTRA-MESTRES E PROFESSORES EM RODA REALIZADA NA PRACINHA DO DIÁRIO COM O MESTRE PIRAJÁ.
MESTRE PIRAJÁ E MESTRE BARRÃO TOMANDO CHÁ NA ACADEMIA DO GRUPO AXÉ CAPOEIRA DO GRADUADO HALIT NA CIDADE DE ANKARA- TURQUIA.

APRESENTAÇÃO DE TOQUES DA CAPOEIRA EXECULTADOS PELOS MESTRES PIRAJÁ, MESTRE BARRÃO E MESTRE DUWALLE EM EVENTO NA CIDADE DE NICE, FRANÇA.











































sábado, 12 de dezembro de 2009

IMPORTÂNCIA PEDAGÓGICA DA CAPOEIRA

CAPOEIRA – DANÇA e ARTE: A arte se faz presente através da música, do ritmo, do canto, do instrumento, da expressão corporal e das criatividades de cada movimento.
CAPOEIRA – FOLCLORE: É uma expressão popular que faz parte da cultura Brasileira.
CAPOEIRA - ESPORTE: Como modalidade desportiva, institucionalizada em 1972 pelo Conselho Nacional de Desportos, ela mesma deveria ter um toque especial para competição, estabelecendo-se treinamentos físicos, técnicos e táticos.
CAPOEIRA - EDUCAÇÃO: Apresenta-se como um elemento importante para a formação integral do aluno, desenvolvendo o físico, o caráter, a personalidade e influenciando nas mudanças de comportamento. Proporciona ainda um auto conhecimento e uma análise crítica das suas potencialidades e limites. Na educação especial, a Capoeira encontra como frutífero junto aos portadores de deficiência física.
CAPOEIRA – LAZER: Como prática não formal, através das “rodas” espontâneas, realizadas nas praças, colégios, universidades, festas, praias e etc...
CAPOEIRA - LUTA: Apresenta sua origem e sobrevivência através dos tempos, na sua forma mais natural, como instrumento de defesa pessoal, genuinamente brasileira. Deverá ser ministrada com o objetivo de Capoeira combate e defesa.
CAPOEIRA – FILOSOFIA DE VIDA: Muitos são os adeptos que se engajam de corpo e alma, criando dessa forma uma filosofia de vida, tendo a Capoeira como elemento símbolo, até mesmo usando-a para a sua própria sobrevivência.
CAPOEIRA – RELIGIÃO: É uma forma de Louvar a Deus, segundo os Salmos 149 e 150 da Bíblia Sagrada.

Obs: Apesar de termos enumerados algumas concepções de práticas de Capoeira em vários ambientes, acreditamos que esta deverar ser ensinada globalmente, deixando que o educador busque a sua identificação em quais quer dessas formas. Caberá ao professor um papel importante, orientando e estimulando o aluno para que possa êle aproveitar ao maximo toda sua potencialidade.




Mestre Pirajá o Mito

( cordel )

Amigo preste atenção
No que vou lhe contar
Vai lhe servir de lição
Peço prá me escutar.

Se voçê me escutar
Voçê vai sair ganhando
É só voçê esperar
E comigo ir contando.

Vou falar de um assunto
Que vai chamar atenção
Que é muito badalado
No Morro da Conceição.

É da nossa Capoeira
Que agora vou falar
Pode parecer besteira
Mesmo assim eu vou contar.

No quilombo dos Palmares
Escondido o negro dançou
E dela também fez luta
E contra o branco usou.

Até que um dia o branco,
Por lei fez do negro irmão
E estudou a Capoeira
O jogo da libertação.

Capoeira meu amigo
Vou te dizer como é que é,
Tanto pode jogar homem
Como menino e mulher.

A Capoeira que há anos
Ficou muito reduzida
Proibida pelo branco
Não pode ser reconhecida.

Surgiram os seus seguidores
Por todo o nosso Brasil
Mas também em Pernambuco
Foi que a arte se expandiu.

Capoeira meu amigo
É dança é vibração
É considerada um jogo
Jogo de libertação.


Mas prá jogar Capoeira
Um mestre tem que ensinar
Capoeira né besteira
Nem coisa de se brincar.


Vou falar de um grande Mestre
O seu nome digo já
Conhecido lá no Morro
Como Conde Pirajá.


Já treinou foi muita gente
Em quase todo o Brasil
É bastante experiente
Bom, amigo e gentil.


Capoeira de Angola
Também a Regional
Se aprende com mestre Conde
O jogo é sensacional.


Agora vou lhe falar
É dos alunos do Mestre
Eles são bons de jogar
São uns cabras bons da peste.


Tem Marron, tem Espinhela
Tem Luiz Touro também,
Todo Duro, Barrão e Cancão
Em toda casa Amarela
Outros alunos ele tem.


Aos outros que eu não falei
Peço agora meu perdão
Se estiver aqui presente
por favor levante a mão.


Vou deixar o meu aviso
Favor não esqueça não
Capoeira meu amigo
É jogo da libertação


No nosso Brasil colônia
Como diz lá na história
Foi bastante praticada
Guarde isso na memória.


Vêiu o negro como escravo
Trabalhar no meu Brasil
Tirado de sua terra
Pela ponta do fuzil.


Trouxe sua Capoeira
Da África para o Brasil
O branco fazendo asneiras
Por mêdo a proibiu.


Mas o negro por ser forte
Praticou nas escondidas
E enfrentou até a morte
Do branco as investidas.


Capoeira minha gente
Não tem discriminação
É jogo bem praticado
No Morro da Conceição.


No Morro da Conceição
Bairro de Casa Amarela
Mora o Mestre Pirajá
Marron, Luiz Touro e Espinhela.


Quem gosta de Capoeira
E deseja praticar
Só basta subir o Morro
E procurar o Mestre Pirajá.


Agradeço ao leitor
Em nome do Pai do céu
E peço um pequeno favor
Que divulgue êsse cordel.

Obs: Êste cordel foi escrito no mês de janeiro de 1982, por Admilson Barros e Casimiro Junior,
com o apoio do Grupo Senzala de Capoeira, Conselho de moradores do Morro da Concei-
-ção e o Centro de Comunicação do Córrego do José Grande.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

"ENTIDADES DE CAPOEIRA CRIADAS NOS ANOS 80"

No inicio dêste ano em 10 de maio de 1987, foi fundada á União dos Capoeiras Leão do Norte,"UNICALEN", pelos Mestres Pirajá, Mestre Espinhela, Contra-Mestre Cuscuz, Professores: Samuca, King, Azambuja, Monitor: Mosquito, Instrutores: Robô-Cop, Fazendeiro e Meinha, e os alunos e alunas: Fofinho, Alexandro, Marconi, Ferreiro, Enèias, Lã, Ló, Viviane, Kassia, Katia e Josefa. A UNICALEN é uma entidade não Governamental, de Caráter gratuito, com a finalidade de unir os Capoeiristas com o objetivo de praticar o bem, na educação física e mental. O Mestre Pirajá é o primeiro Membro fundador, e Presidente do Conselho Superior de Mestres da UNICALEN, e Primeiro Presidente Mentor e Fundador da “Associação dos Capoeiras de Pernambuco” ( ASSOCAPE), Tendo como seu Vice-Presidente e sucessor, seu aluno e discipulo, Mestre Duvalle, com sede na Casa da Cultura.
Essas duas entidades foram criadas na época para ser representante legal dos Capoeiristas junto aos órgãos Públicos, porque o Registro de nossa Capoeira só existia na Federação Pernambucana de Pugilismo ( Departamento Especial de Capoeira), onde o nosso representante legal era o Mestre João Mulatinho. Só depois da nova Constituição é que podemos juntos com Mestre Mulatinho e os Mestres que participaram da luta pela nossa Capoeira, conseguimos então fundar e oficializar a Federação Pernambucana de Capoeira.
Eu sempre costumo dizer e ensinar aos Capoeiristas que Pratique a Capoeira não importa o estilo, se Angola ou Regional, o importante é que a praticamos de forma correta, sem violência e mau dizeres,pôs automaticamente Deus nos abençoa, deixe que falem de voçê, seje de bem ou de mau, que futuramente quem escutou um dia vai ter a realidade dos ditos, não se preocupes pois estarás vivo na memória de quem fala e de quem escuta,” Deixe a Baleia Cortar o Mar e Ver prá que lado vai as ondas.”

sábado, 7 de novembro de 2009

HISTÓRIA DA CAPOEIRA PERNAMBUCANA

Apartí de 1978 a capoeira tomou um impulso muito grande em sua divulgação e ensino, foi quando eu, Mestre Pirajá, participava de um concurso de música afro-Brasileira no Sesc de Santo Amaro quando conhecí o Mestre João mulatinho que se fazia acompanhar do Mestre Zumbí Bahia, e ambos tinham ido para assistí ao evento musical e mim conhecerem, fizemos uma grande amizade e apartí daí passamos a nos encontrar sempre que possivel para troca de conhecimentos, estudo, organização e jogar-mos capoeira, ainda hoje mim lembro da música que concorrí, sendo a mesma de autoria minha, Edson oliveira(compositor da escola Galeria do Ritmo) e do meu aluno e tambem compositor Heleno Lovação, “ Assunçê dis que não jogo
Vou jogar prá assunçê ver
Mas jogando a Capoeira
Faço o mundo estremecer
Vai vai Galeria, vai brincar
O carnaval, Na roda de Capoeira
E no som do Berimbau
E Grupo Senzala de Capoeira
Joga de pés no chão
e sacode a poeira.”
Em 1980 nós faziamos o 1º Batismo Oficial e coletivo de Capoeira, porque os Batismos de Capoeira do Grupo Senzala já acontecia desde 1974 individualmente entre os membros do grupo com o seu Mestre Pirajá.
Em 1981 já existia 7 (sete) Academias de Capoeira em todo Estado de Pernambuco, “ Grupo Senzala de Capoeira” no Morro da Conceição, do Intrutor Pirajá; “Studio de Arte Física” em Boa Viagem, dos Instrutores Mulatinho e Bigode; “Viva a Bahia”no Bairro do Prado do Instrutor Galvão; “Grupo Cajueiro Sêco de Capoeira”em Prazeres do instrutor Paulo de Prazeres(ou Paulo Guiné); “ Grupo Marco Coca-Cola de Capoeira”em Casa Caiada-Olinda do Instrutor Coca-Cola; “Grupo Lázaro Africano de Capoeira” no Amaro Branco-Olinda do Instrutor Lázaro; “ “A.A.A.C.M.”na Rua Gevásio Pires, Centro do Recife, Instrutores Zumbí Bahia e Mulatinho, local a onde agente costumava se reunir nos fins de semana para conversar-mos e jogar capoeira numa grande roda geralmente ás tarde.
Nêste mesmo ano no mês de agôsto, o Instrutor João Mulatinho, havia entrado em contato com o Instrutor ZULU de Brasilia, DF. Reuniu-se com os Lideres dos Grupos acima citados no objetivo de modificar as cordas que eram nas côres da Bandeira Brasileira, passando a ser conforme as côres dos Orixás da Umbanda, com irradiação nas côres: Azul= Iemanjá; Marron=Xangô; Verde=Oxossi; Amarelo=Oxum; Rôxo=Iansã; Vermelho=Ogum; Branco=Oxalá. Onde ouve a concordância de toudos os Instrutores dos Grupos acima citados. Os Instrutores passaram a usar a corda Vermelha e os mais graduados passaram a usar a corda Marron, foi aí que ouve uma grande evasão de graduados que não aderiram ao novo sistema de graduação, criando com isso uma divisão muito grande da nossa capoeira local, pois aqueles que ainda eram alunos e jogavam até bem a capoeira se achavam já prontos a ser professores, o que Eu, João Mulatinho, Zumbí Bahia e Galvão não concordava, pois ainda lhes faltavam muitos fundamentos sôbre a capoeira Angola e a Capoeira Regional.
Em Janeiro de 1982, O Conselho de Moradores do Morro da Conceição, em conjunto com o centro de Comunicação do Córrego do José Grande, com autoria de Cassimiro Junior e Admilson Barros, compôs um Cordel, com o titulo de “Pirajá o Mito da Capoeira”.
Em 1983, o Mestre Pirajá com o seu “Grupo Senzala de Capoeira”, foi convidado para fazer o fundo musical tocando com o seu Berimbau o toque de Santa Maria no Casamento de Roberta e Admilson Barros, realizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Morro, o que se tornou um fato inédito para toudos que estavam presente ao ato Religioso, uma vez que a Capoeira nesta època sofria uma grande e intensa descriminação por parte da nossa Sociedade, foi um grande marco para aqueles que sempre acreditaram e sempre sonharam e tiveram esperança de ver a nossa Arte-Capoeira reconhecida como ela é hoje, reconhecida em toudo Brasil e em mais da metade do mundo, graças a luta e insistência de toudos os Mestres ainda vivos e os que já partiram dêste mundo para outro melhor.
No ano de 1986, data que na época já existia Mestres Cordas Vermelhas formados em outros Estados do Brasil, e aquí em Pernambuco, titulo ortogado pelo “Departamento Especial de Capoeira da Federação Pernambucana de Pugilismo e da CBP”, o Mestre Pirajá, convidou toudos os Mestres cordas Vermelhas da época que eram; Mestre(João Mulatinho, Bairro de Boa Viagem), ( Zumbí Bahia do Sesc de Santo Amaro), ( Paulo Guiné de Prazeres), ( Galvão do Prado), (Marcos Coca-Cola de Olinda), toudos com seus auxiliares e alunos para examinar os graduados do “Grupo Senzala de Capoeira do Mestre Pirajá”, dessa primeira turma, em 10 de maio de 1987, na Sede da Escola de Samba Galeria do Ritmo e tendo seu final dos exames na Escola Maria da Conceição no Largo D. Luiz, atráves de exames e planos de aulas , só cinco(05) conseguiram chegar e serem aprovados pela banca formada pelos Mestres examinadores á Corda Vermelha que era a maior graduação na época, recebendo o titulo de “Mestre Instrutor” ; Cancão, Espinhela,Todo-Duro,Duvalle e Barrão, que hoje divulga a existência da Capoeira Pernambucana em vários Estados do Brasil e em dezenas de Países do mundo, em 1997, dez anos depois formei com a Corda Vermelha, Mestre Cal, que venhe seguindo a mesma filosofia do Mestre como os demais jà formado, voltada para o trabalho, honest-
idade e amizade.




sábado, 31 de outubro de 2009

O MESTRE

Eu conheci e mim iniciei na Capoeira com um irmão de criação de meu pai, conhecido pelo nome de Luiz Naval, que em 1958 chegou do interior para morar na localidade chamada de Visgueiro, hoje Vasco da Gama, onde nesta capoeira não existia o berimbau, era em forma de Batuque com tambores e palmas, as gingas eram passos laterais em formas de tombos e esquivas, para frente aplicando o ataque, e para traz em fuga, os golpes conhecidos e ensinados eram tapão, rabo-de-arraia, coices, cabeçadas, rasteiras, cotoveladas, chibatas, bandas, etc... Segundo êle, tinha aprendido com alguns negros descendentes de escravos que moravam e trabalhavam na Usina Bonfim e em seus engenhos, lugar aonde nasceu meus avós e pais, naquela região imensa entre as cidades de primaveras e fleixeiras, região da mata no Estado de Pernambuco. Eu já nascí em Recife, no Morro da Conceição, para onde meus pais haviam vindo morar quando se mudaram para a capital em busca de melhores dias de vida.
Em meados de 1966 ingressei no Corpo de Fuzileiros Naval, passando alguns meses em Salvador no Grupamento de lá, onde tive a oportunidade de conhecer a Capoeira práticada lá nessa epoca, como pude tambem conhecer o Senhor Manoel dos Reis Machados, renomado Mestre Bimba criador da Capoeira Regional Baiana, como tambem grandes capoeiristas Angoleiros da época, dentre eles os Mestres Caiçara, Valdemar da Paixão, Vermelho, Di-Mola, Fernandinho, Nêgo Teles, Briga, Manoel, e outros. No inicio de 1967 fui transferido para o Rio de Janeiro, onde conhecí e conviví com outros capoeiristas onde os mesmos na época estavam começando a se organizar criando vários grupos, tendo eu permanecido com Mestre Travassos e mestre Veludo, participando da criação do Grupo Pequeno Mestre no bairro do Barreto na cidade de Niterói.
Em 1969 por ocasião de ter vindo de férias a minha terra natal Recife, fundei o Grupo Senzala de Capoeira (de Pernambuco), em homenagem ao livro Casa Grande e Senzala, do Mestre Gilberto Freire, no qual fundei a capoeiragem que aprendí quando jovem com o meu meio tio Luiz Naval em Recife, e coloquei os golpes e Mandingas da Angola, e golpes com as cinturas desprezadas da Capoeira Regional Baiana mas as experiências e jogo que aprendí quando estava no Rio junto ao Mestre Travassos e outros capoeiristas da época, denominando a minha maneira de jogar e ensinar de " Anglo-Regional" ou Capoeira Pernambucana. Então ensinei esta fusão a 16 colegas de infância, com a maior aderência por parte da comunidade, até hoje se joga esse estilo em todo mundo, principalmente se o capoeirista for de Pernambuco.
Em fins de 1972, retornei definitivamente para Pernambuco, passando a ensinar a Capoeira as crianças, os adolescentes e adultos dos Morros e Altos de Casa Amarela, transformando a Capoeira como forma de lazer e terapia ocupacional, para melhorar a formação de nossa Sociedade, com a prática da Capoeira Pernambucana.
No Carnaval de 1973, desfilei com uma ala de Berimbau e duplas de Capoeiristas pela primeira vez com o objetivo de divulgar a Capoeira jogando o estilo Anglo-Regional na Escola Gigante do Samba. No dia 06 de Janeiro de 1974 divulguei e iniciei um projeto de graduação no Grupo Senzala de Capoeira-PE, recrutando vários alunos, preparando-os nos 73 golpes diretos, condicionando o corpo para criar novos movimentos, onde seriam aqueles que posteriormente iriam dar seguimento ao que eu tinha começado, dentro dos fundamentos e ensino da minha filosofia de vida e dos fundamentos da Capoeira os quais eu havia aprendido com os mestres que mim ensinaram, filosofia esta voltada para o trabalho, honestidade e amizade; Na época iniciaram dezenas de alunos participando de aulas teóricas, práticas, cursos, exames, e apresentações de Capoeira em toda Zona Norte do Recife, divulgando a Capoeira com o seu estilo de Pernambuco.